FALAR...POR FALAR
... com sons e imagens... mas também silêncios, se fará esta conversa ... sempre ao sabor das palavras ...
27 de Março de 2020

 

Agora que não posso viajar, o mundo diminuiu e reduz-se praticamente à minha rua.

É uma rua quase deserta.

De vez em quando passa alguém a passear o cão.  Cão.jpg

Depois um casal com sacos de compras.

Passam autocarros quase vazios e um ou dois carros.

Algumas pessoas aproximam-se da porta do único café que está aberto e caminham pela calçada bebendo cafés tristes em copos de papel.

Na minha rua não acontece nada que mereça a pena e, por isso, aqui não aparecem repórteres.

Entrevista.pngNem sequer daqueles que fazem a sacramental e inteligentíssima pergunta “como é que está a ver…” e a que toda a gente deveria responder “Estou a ver bem, muito obrigado, não tenho falta de vista” ou o contrário “ Não vejo lá muito bem porque preciso de graduar os óculos”.

Aqui também ninguém bate tachos à janela, ninguém canta ou toca para os vizinhos ou bate palmas seja a quem for.

Felizmente! Assim cada um segue a sua vida silenciosamente.

Contudo, há coisas que, na minha rua, me preocupam…

Um banco que contorna um canteiro é extremamente apreciado para convívio.

E isso continua praticamente igual, mesmo que nos seja pedido isolamento social.

Um dia destes, quatro ou cinco amigos, já entradotes, resolveram abancar alegremente nesse banco a fazer piquenique e a beber cerveja.

Cervejas.jpg

(Onde é que eu já ouvi que era proibido beber álcool na rua e que não devem andar mais de duas pessoas juntas?)

Foi uma algazarra. Falavam alto, o cão ladrava todo contente e as poucas pessoas que passavam olhavam, certamente, com inveja.

Claro que estavam a menos de um metro uns dos outros…

 

Outra preocupação da minha rua são os entregadores de comida que estacionam as motorizadas por aqui, a meio do dia e ao fim da tarde.

Comida.jpg

Alguns têm um ar pouco limpo, o que num entregador de comida poderia parecer condição essencial...

Mas, não é só isso.

Os rapazes confraternizam alegremente, ao lado uns dos outros ou falando uns para os outros, bem perto uns dos outros, sem máscara e sem luvas, mexendo constantemente nos telemóveis.

Quando algum outro chega, tem direito a um “toma lá mais cinco”, para completar a cadeia de transmissão... de amizade... de companheirismo... ou de... seja lá do que for…

... e depois, lá vão entregar comida a casa dos que querem defender-se de uma possível contaminação…

Mas, para além de mim e de um ou outro vizinho que esteja à janela quem é que vai saber que assim se desrespeita o estado de emergência? Ninguém!

Porque na minha rua não há polícias. Nem um! Nem a pé, nem de bicicleta, nem de carro. Há semanas que não vejo um único! Como também não vejo varrer ou lavar a rua…

Será que devo começar a ter inveja daquelas localidades em que as autoridades locais saem à rua com os seus carros com letreiros luminosos e megafones a aconselhar as pessoas a ficar em casa ou a não permitirem grupos?

Aviso_Pol.jpg

Que rua para viver, caramba! Se calhar vive no interior – pensarão vocês.

Mas, não.

A minha rua é uma grande e conhecida artéria de Lisboa.

E, pronto, a minha rua agora... é isto.

 

(Créditos - Todas as imagens foram tiradas da internet)

publicado por Til às 17:47 link do post
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