FALAR...POR FALAR
... com sons e imagens... mas também silêncios, se fará esta conversa ... sempre ao sabor das palavras ...
31 de Julho de 2014

Um dia destes veio-me à memória a minha ida a Budapeste.

Estava em Viena e soube que havia agências de turismo que faziam tours entre esta cidade e Budapeste, saindo de manhã e regressando à tarde.

Achei que seria um passeio agradável.

 

De facto, o autocarro era confortável, levava uma assistente a bordo que servia bebidas e o tempo de viagem seria relativamente curto.

O que eu não esperava é que fosse uma viagem tão cheia de adrenalina…

Esperava um motorista sisudo, cumpridor fiel do código da estrada, como é costume ver-se nos países civilizados e, portanto, garante bastante da segurança de todos os passageiros e, sobretudo, que em nada se assemelhasse a um motorista português, de um autocarro de uma conhecida agência de viagens portuguesa, com quem fiz uma viagem por alguns países da Europa.

Foi de tal ordem essa viagem que nunca mais repeti a experiência…

Mas, voltemos ao motorista austríaco.

 

Saído de Viena, já em pleno campo, sobretudo nas estradas que atravessam as vastas planícies magiares, o bom do motorista acelerava a fundo, como se fosse ao volante de um carro de Fórmula 1, ultrapassava todos os veículos que circulavam à direita da via, fossem eles ligeiros ou pesados e, mesmo com trânsito na contramão, só retomava a sua faixa quando já todos nós pensávamos ter chegado o nosso último momento, isto é, a poucos metros do primeiro veículo que circulava contra nós.

Não contente com isto, virava-se para trás e ria todo satisfeito com a façanha.

Foi de tal ordem que vários passageiros reclamaram junto da assistente, entre eles eu, mas o efeito não foi imediato.

Mas, no regresso, foi, de facto, mais comedido.

 

Cheguei, portanto, a Budapeste um pouco traumatizada com viagem tão stressante e pouco disposta a gostar do que quer que fosse.

Mas… gostei.

 

A travessia da Ponte das Correntes, sobre o rio Danúbio, que liga as duas cidades – Buda e Peste, fez-me esquecer a viagem.

 

Ponte das Correntes

(in Wikimedia Commons - Domínio público)

 

Apesar de as memórias serem menos nítidas do que as que tenho de outras cidades onde permaneci mais tempo, recordo bem a Praça dos Heróis, o Palácio Real, o Bastião dos Pescadores e o Parlamento.

 

Praça dos Heróis

 

Lembro a vastidão da Praça dos Heróis com a sua colunata semicircular, onde se vêem estátuas dos maiores líderes e heróis magiares, que envolve parcialmente a coluna central onde se ergue a estátua do Anjo Gabriel.

 

Do palácio real, majestosa construção com o toque imperial do Habsburgos, ficou-me a sua imponência, mas, sobretudo, as associações mentais que fiz com a figura incontornável da imperatriz Elisabeth (Sissi), mulher do imperador Francisco José da Áustria e rei da Hungria, e da sua notória influência na reaproximação com os Húngaros.

 

O Parlamento, belíssimo edifício neogótico, construído à beira do Danúbio, do lado de Peste, é talvez o mais conhecido monumento da cidade.

 

Rio Danúbio e Parlamento vistos de Buda

 

Do lado de Buda, no Bastião dos Pescadores, com as suas sete torres, recordando as sete tribos magiares que fundaram a nação húngara, a vista sobre o rio e sobre Peste é espectacular.

 

Bastião dos Pescadores

Ali se encontra a igreja Matias, gótica, com o interior todo ornamentada de pinturas murais e telhado de telhas coloridas.

Apesar de ser da invocação de Nossa Senhora, o nome pelo qual é conhecida refere-se ao rei Matias I, que reinou no século XV e que foi imortalizado pela tradição e folclore  magiares como um rei sábio, bom e justo.

 

Igreja Matias

 

Na colina do Bastião dos Pescadores existiam imensas lojas e tendas de artesanato de que destaco as rendas e os bordados a que não consegui resistir. Sobre renda ou tecido branco, destacam-se os bordados de cores vivas, em peças como toalhas de mesa, roupa de cama,  camisas e saias tradicionais, etc. Lindo!

 

Artesanato húngaro

 

Outras peças famosas (a que resisti, muito dificilmente!) foram os cristais e as delicadas peças de fina porcelana, pintada à mão.

 

Depois, foi o regresso ao autocarro e a volta a Viena.

Desta vez, sem incidentes.

 

Qualquer dia terei que regressar a Budapeste para visitá-la com mais calma.

publicado por Til às 13:39 link do post
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