FALAR...POR FALAR
... com sons e imagens... mas também silêncios, se fará esta conversa ... sempre ao sabor das palavras ...
21 de Agosto de 2012

Estive pela primeira vez em Berlim, em 1991, no mês de Agosto.

Um Agosto particularmente quente, tão quente como não se via por aquelas bandas há umas dezenas de anos.

Estive lá uma semana e foi uma boa altura para conhecer Berlim.

 

O Muro caíra dois anos antes mas, em largos troços, permanecia intacto, com toda a sua carga histórica e simbólica.

Nalguns pontos viam-se ainda as cruzes e as flores colocadas nos lugares onde tinham sido abatidos os que tinham tentado transpô-lo.

 

Eu estava lá no dia 13 de Agosto, dia em que se completavam 30 anos sobre a construção do Muro de Berlim.

 

Jornal Der Tagesspiel do dia 13-8-1991

 

 

Nesse dia foi também recolocada, sobre as Portas de Brandeburgo, a célebre Quadriga, depois de restaurada.

 

 

 

Quando fiquei frente ao mais célebre Muro da história ocidental recente, achei-o baixinho, apesar dos seus 3 metros de altura.

Talvez pelo que ele representara na história do Mundo, imaginara-o muito mais alto. Parecia até fácil de transpor com uma escada...

 

Do lado ocidental, o Muro tinha grafittis belíssimos!

(Infelizmente, o meu rolo de fotos onde estavam as fotografias do Muro ficou todo estragado. E são fotos irrepetíveis. Mas, com aquela máquina, voltou a acontecer-me o mesmo por mais duas vezes).

Do lado soviético, porém, a perspectiva era outra: aquele muro "baixinho" coroado de arame farpado, tinha atrás de si toda uma panóplia de meios dissuasores da fuga (ferros cruzados, campos de minas, torres de vigia, etc).   

 

Mas, o Muro existia também ainda nos olhos dos berlinenses que sempre tinham vivido do lado leste.

Passadas as Portas de Brandeburgo, percorrendo a avenida Unter den Linden (Debaixo das Tílias) quando se entrava num daqueles cafés, antes apenas reservados a turistas ocidentais, mas agora abertos a todos, notava-se, perfeitamente, quem era de Berlim Leste: as pessoas entravam ainda como que a medo, de olhos baixos ou olhando de lado, como se estivessem a quebrar um interdito e continuassem à espera de que alguém as mandasse sair.

 

Trouxe também, como era inevitável, pedras do Muro...

 

Entretanto, o Muro foi deitado abaixo, restando dele apenas bocados avulsos, apenas para turista ver. Mas, como  diz o anúncio, não é a mesma coisa...

De cada vez que volto a Berlim sinto falta do Muro, apesar de ele estar marcado no chão da cidade.

 

 

Entendo os motivos que levaram os Alemães a destruí-lo.

Até por motivos urbanísticos: não é fácil gerir o espaço numa cidade moderna cortada por um muro...

 

Mas, penso que se destruiu um monumento histórico, não só testemunho da própria história alemã desde o segundo pós-guerra mas, mais do que isso, testemunho palpável de um período da História da humanidade a que se convencionou chamar Guerra Fria.

 

... e é sempre estranho ver desaparecer um monumento...

 

Pink Floyd - Another Brick In The Wall

 

Apesar de não ser uma referência directa ao Muro de Berlim, Another brick in the wall dos Pink Floyd acabou por ser associada ao Muro, 

depois de um espectáculo realizado em 1990 para comemorar a sua queda.

publicado por Til às 12:49 link do post
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