FALAR...POR FALAR
... com sons e imagens... mas também silêncios, se fará esta conversa ... sempre ao sabor das palavras ...
16 de Agosto de 2012

Pelas razões a que aludi no post anterior, visitei recentemente vários museus portugueses onde não ia há bastante tempo.

Temos museus magníficos, mas outros, nem tanto.

Alguns, para além das colecções pobrezinhas, revelam uma concepção museológica que, não sei se se poderá considerar ultrapassada, mas que não me agrada. Serei a única?

 

São museus escuros. Será que o escuro realça as peças? Não sei...

O que é certo é que eu gosto de museus claros! 

De paredes brancas ou quase, luz directa ou, no caso de a natureza das peças não o permitir, com luz branca, semelhante à luz do dia.

Acho que não há nada que não seja realçado num fundo claro e luminoso!

 

Gosto muito do espaço onde está instalada a Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém.

É um espaço amplo e claro onde aquela belíssima colecção se destaca.

 

Museu Berardo
 

Dirão: "Mas, ela converteu-se à arte contemporânea?"

Não se trata de uma conversão, mas de uma constatação.

A colecção é boa, representativa das várias escolas e movimentos artísticos modernos e contemporâneos e, coerente, dentro de determinados pressupostos.

Isso não invalida que eu questione o porquê de aquelas peças merecerem figurar num museu!, mas são coisas diferentes.

 

Também o MoMA, de Nova Iorque é amplo e claro, ou Serralves, no Porto.

Será porque são museus de arte contemporânea? Não creio.

 

MoMA (Nova Iorque) 

 

O nosso Museu Nacional de Arte Antiga tem a maior parte das salas claras e o Metropolitan (NY), o Museu Britânico, o Louvre, o Pergamon (Berlim) ou o Thyssen- Bornemisza (Madrid) também são predominantemente claros e apresentam peças antigas.

 

Metropolitan Museum - Nova Iorque
 

Espero que o novo Museu dos Coches seja claro, para nele se destacarem as belíssimas carruagens que se amontoam no museu actual, acanhado e escuro.

 

Um museu que me deixou profundamente desiludida foi o Museu do Traje.

A única coisa realmente bonita é o palácio que dá abrigo a uma colecção de trajes, pobre e feia.

Então, os fatos representativos das últimas décadas do século XX são medonhos e de péssimo gosto.

 

Fiquei perplexa com a pobreza da colecção e com o modo como é apresentada: janelas fechadas, salas sem luz natural (ok, podem danificar os trajes), mas ponham luz branca, não luz amarela. Parece um velório!

Será que retiraram peças da colecção permanente para haver espaço para a exposição temporária de agasalhos em pele? Não valia a pena...

 

Isto das exposições temporárias também tem muito que se lhe diga.

Parece ser hábito, nalguns museus, desalojar parte da colecção permanente para haver espaço para as exposições temporárias.

Nalguns casos, como foi o caso do Museu de Arte Popular, até se fecha o museu para desmontar, depois, a exposição!

 

Neste caso, o  Museu de Arte Popular albergou, até 29 de Julho, uma exposição de video-jogos. Populares são, arte popular... não são.

Quando esta terminou, o museu fechou, não sei por quanto tempo, porque, depois de ter telefonado para lá, em três dias diferentes, já em Agosto, e me ter sido dito sempre que estavam a desmontar a exposição e não sabiam prever a data da reabertura, desisti de levar lá os meus amigos estrangeiros.

 

Mas, afinal, não é a colecção permanente de um museu que é o "coração" do mesmo, aquilo que lhe dá o nome e a razão de existir?

É certo que certas exposições temporárias chamam público e dão dinheiro. Pois que se façam, em espaços reservados para tal, sem afectar as colecções permanentes!

 

Quando, no início de Julho, estive em Nova Iorque, havia no Metropolitan, não uma, mas várias exposições temporárias.

Contudo, a colecção permanente lá estava, no seu lugar, à espera dos nossos olhos.

E, porque gosto muito de arte e de museus, ainda hei-de voltar à questão da arte contemporânea...

 

Ralph Vaughan Williams (1872 - 1958) - Fantasia on Greensleeves
publicado por Til às 14:51 link do post
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