FALAR...POR FALAR
... com sons e imagens... mas também silêncios, se fará esta conversa ... sempre ao sabor das palavras ...
24 de Junho de 2012

Gostando eu tanto de arquitectura moderna e  contemporânea, não podia deixar de visitar Brasília, a capital construída de raiz no planalto central brasileiro, segundo projecto de Lúcio Costa.

Desejava imenso ver, realmente (sem ser apenas em livros), as obras projectadas pelo arquitecto Oscar Niemeyer.

 

Vista do ar, a cidade parece uma enorme ave de asas abertas e, no chão, sobretudo, na zona monumental, onde se situam os edifícios político-administrativos, tudo tem uma escala fora do comum: os prédios, as avenidas, as praças.

Nesta zona encontram-se os edifícios que são o ex-libris da cidade: a catedral, a Praça dos Três Poderes, etc.

 

Depois, há as zonas dos serviços (sectores comercial, hoteleiro, médico-hospitalar, etc.) onde tudo também é enorme, mas logicamente estruturado e funcional, e ainda os enormes espaços verdes, os jardins e os espaços de lazer nas margens do lago Paranoá.

Mas tudo tem o ar frio de uma cidade que parece quase sem gente. 

 

Decididamente, não é uma cidade para percorrer a pé, e é difícil ter dela uma memória de conjunto, porque tudo é muito longe de tudo.

Excepto nas chamadas superquadras, que são bairros de dimensão controlada, rodeados de árvores, normalmente para um máximo de 3 mil pessoas, que moram em blocos habitacionais tipificados, construídos sobre pilares e que usufruem de lojas, escola, espaços de cultura e recreio, igreja e outros espaços comuns.

Ao lado, num novo bairro, o esquema repete-se.

Ali a escala dos edifícios e dos espaços é já uma escala mais humana.

Mas, como todos os projectos funcionalistas de que tenho conhecimento, há uma diferença enorme entre o croquis dos arquitectos, onde tudo é idealmente funcional, e o sentir das pessoas que habitam esses edifícios e esses espaços...

 

Num desses bairros, na superquadra 307/308 Sul, situa-se a pequena Igreja de Nossa Senhora de Fátima, da autoria de Óscar Niemeyer, o primeiro templo a ser erguido em Brasília, inaugurado em 28 de Junho de 1958, portanto, há 54 anos, que não comporta mais do que 60 fiéis e que quase parece uma igreja de brinquedo.

Quando ali estive, as pessoas ouviam missa em cadeiras de plástico ou em pé, espalhando-se pela pequena praça em frente, porque não cabiam lá dentro.

 

Igreja de Nª Sª de Fátima

 

Todos os edifícios desenhados pelo grande arquitecto brasileiro são, de facto, de uma beleza formal e de um despojamento que os torna verdadeiras obras de arte!

 

No Palácio da Alvorada, que foi o primeiro edifício público inaugurado em Brasília, também em Junho de 1958, desenhou os tão célebres pilares funcionalistas e de matriz corbusiana, com um formato diferente o que dá um maior ritmo à fachada.

É a residência oficial do Presidente da República e, no dia em que ali estive, uma avestruz em liberdade corria alegremente pela relva em frente do palácio...

 

(Como a minha foto não estava tão bem conseguida, usei esta que encontrei em Correio do Estado)
 

Há ainda o Palácio do Planalto, ou Palácio dos Despachos da Presidência da República Federativa do Brasil, inaugurado em 21 de Abril de 1960.

 

Palácio do Planalto

 

A Praça dos Três Poderes é de um equilíbrio estético inigualável.

 

Praça dos Três Poderes

 

Outra construção singular é a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida, inaugurada em 1960, e cujo acesso se faz através de uma passagem subterrânea...

 

Catedral de Brasília


... para potenciar o contraste da entrada na nave, inundada pela luz que entra pelos vitrais da cobertura.
 
Interior da Catedral

 

As construções projectadas por Niemeyer são, de facto, lindas! 

 

Mas, uma das construções mais bonitas de Brasília é a igreja de Dom Bosco, na avenida W3, próxima do sector hoteleiro da Asa Sul.

Foi projectada por Carlos Alberto Naves e, do exterior, quase passa despercebida, no seu tom cinzento e nas suas dimensões reduzidas, para a escala brasiliense.

Contudo, quando se entra é o êxtase pleno!

As paredes são quase inteiramente em vidro de vários tons de azul e, conforme as horas do dia e a incidência da luz exterior, assim o interior da igreja muda de cambiantes. Lindíssima!

 

Igreja de Dom Bosco
 

É engraçado como gosto tanto de arquitectura contemporânea e não tenho tão boa relação com a pintura...

 

E, hoje, é tempo de bossa nova...

 

Corcovado (de Tom Jobim) cantado por Nara Leão - 1960
publicado por Til às 09:39 link do post
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